quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Capitu

Não, não saiu nenhum filme com esse nome... Na verdade, hoje eu vim falar de televisão mesmo. Vi os dois primeiros capítulos da minissérie "Capitu" que tá passando na Rede Globo, e por incrível que pareça eu gostei. Tudo bem que a maioria do que a Globo produz é lixo, mas dessa vez eles acertaram sim e tenho que dar a minha mão à palmatória. Tudo bem também que o programa tem o toque do cult Michel Melamed, mas confesso que eu to adorando ele de Dom Casmurro,pronto admiti! hahaha ahh e o menino que faz o Bentinho, que atorzinho bom,hein! Isso sem contar a linda Capitu nova com aquela tatuagem dando todo um ar moderno... Confesso também que eu tenho uma quedinha por essa coisa de experimentação, sem exageros e feiuras, do jeitinho que estão fazendo em Capitu, por que não diferenciar na TV? Que bom que tem gente que ainda quer mudar as coisas.
Para quem ainda não viu a minissérie, eu conto... É inspirada no livro "Dom Casmurro" do incomparável Machadinho, como sua esposa Carolina o chamava, ou Machado de Assis, como muitos conhecem. Bom, o grande diferencial de "Capitu" é a forma de contar a história que muita gente já sabe como começa e termina, ela é contada num cenário que parece um palco, sem móveis ou divisórias, muitas vezes com desenhos no chão que simbolizam as disposições das coisas em cena, como na cena do muro da casa de Capitu que é desenhado no chão; com uma música moderna ao fundo, a trama ganha o tom necessário; com cores fortes e muito bem escolhidas as imagens se tornam mais belas a cada cena; isso sem contar a leitura do texto e as interpretações que dão um show a parte, vale a pena dar uma conferida, de verdade.
Essa história de cenários desenhados no chão, falta de limites entre cômodos e ausência de móveis só é novidade nas telinhas, "Capitu", pelo visto, foi fortemente inspirada em um movimento de uma galera das telonas, o Dogma 95, para não haver dúvidas, eis a definição, segundo o Wikipédia: "O Manifesto Dogma 95 foi escrito para a criação de um cinema mais realista e menos comercial. Segundo os cineastas, trata-se de um ato de resgate do cinema como feito antes da exploração industrial (segundo o modelo de Hollywood). O manifesto tem cunho técnico — apresenta uma série de restrições quanto ao uso de técnicas e tecnologias nos filmes — e ético — com regras quanto ao conteúdo dos filmes" Um dos líderes desse movimento é o diretor Lars Von Trier, que dirigiu o ótimo "Dogville" que se passa em um galpão simulando uma cidadezinha americana dos anos 30, em plena recessão, a personagem principal é Gracie (interpretada por Nicole Kidman), filha de um dos chefões da máfia que, fugindo do pai, vai parar em Dogville buscando abrigo mas logo logo percebe que a "bondade" dos habitantes da cidade pode custar muito caro...
Enfim, para terminar esse longo texto, deixo a dica: as vezes vale a pena ver o antigo, mas uma vanguardinha aqui e ali não cai nada mal!

(Por Carol Borges)

Dica do dia: Dogville

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Bob Dylan e Chaplin

Esses dias eu vi o filme – biografia do Bob Dylan, “Não Estou Lá”, nossa que filme lindo! Daqueles que dá saudade de ver sabe? Um filme delicado, com imagens maravilhosas, que te deixam de boca aberta, isso sem falar nos diálogos e do desenrolar da história... Um filme que você começa vendo deitada, meio sem credito, por acreditar ser mais um daqueles filmes que precisam do diretor do lado pra entender, mas que surpresa boa, em pouquíssimos minutos você se vê sentada, incrédula, de boca aberta com tamanha qualidade cinematográfica!
“Não Estou Lá” conta a história de Bob Dylan de uma maneira diferente, vários atores (Christian Bale, Cate Blanchett , Heath Ledger , Marcus Carl Franklin , Richard Gere, Ben Whishaw) interpretam as várias fases e possiveis personaliades do músico. Vale a pena alugar!
Bom, nesse mesmo pacote que aluguei “Não Estou Lá” aluguei também “Luzes da Cidade” do sempre M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O e indescritível Charles Chaplin. “Luzes da Cidade” não supera “Tempos Modernos” (meu filme favorito dele), mas lógico que supera cerca de 99% dos filmes que estão por ai... Como é possivel um cara fazer filme em 1931, com pouquíssimos recursos tecnológicos e mesmo assim, superar de longe filmes de 2008? Fácil, ele tinha o que dizer. Apesar de Chaplin jurar que a arte só veio depois, segundo o próprio cineasta, ele resolveu entrar no cinema para fazer dinheiro, mas se era só por dinheiro, por que morar para sempre num quarto de hotel, Carlitos? Enfim, precisaremos de mais uns séculos para entender esse vagabundo. “Luzes da Cidade” conta a história da paixão de um vagabundo por uma pobre florista cega, que acredita que ele é um milionário. O vagabundo faz de tudo para conseguir o dinheiro para a cirurgia que pode restaurar a visão da moça. Após muitas confusões e críticas à sociedade, o final você só vai saber se ver o filme..hahaha
(Por Carol Borges)
Dica do dia: Não Estou Lá

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Palmas para Paul Thomas Anderson!!


Queridos leitores, é com orgulho que inauguro a Esquina do Cinema! Vou começar falando do meu diretor queridinho: Paul Thomas Anderson. Pra vocês sentirem a moral do cara, Fernando Meirelles disse duas vezes (e depois de mim! Como sou esperta... hahaha) que Thomas Anderson é seu diretor preferido, portanto me sinto no direito de falar do mais novo aclamado diretor de Hollywood.
Mas afinal, o que esse californiano de 38 anos tem de tão especial? Vamos à lista: fez dois filmes que de tão bons não tem adjetivo que baste: Magnólia e Sangue Negro, além de Boogie Nights, um filme que consegue ser incrivelmente delicado apesar de tratar da industria pornô ; ele largou a faculdade de cinema da Universidade de Nova York no segundo dia de aula, pegou o reembolso da matricula para filmar o premiado curta “Cigarretes and Coffee” , provando que talento não se constrói em faculdade; P.T Anderson também conseguiu um verdadeiro milagre cinematográfico: fazer Tom Cruise atuar maravilhosamente bem, em Magnólia; e o mais importante: seus filmes tem linguagem fácil de entender e muito conteúdo, coisa que parece impossível para os cults de plantão.
Resumindo: Paul Thomas Anderson é o nome do novo cinema, formado por diretores que cresceram vendo os grandes mestres e aprenderam na prática e com muito talento que não precisam de escola pra fazer um cinema de conteúdo sem ser chato ou piegas.
A obra de Anderson não é das maiores (ele tem apenas 38 anos, lembra?), mas com certeza é uma das mais qualificadas, melhor fazer pouco e bem feito do que ter mais de 60 anos e continuar todo ano lançando um filme que tenha o próprio nome no título, tipo “Didi e o monstro sei-lá-de-onde”.
Não que eu não valorize o cinema nacional, aliás valorizo e muito, mas valorizo o verdadeiro CINEMA NACIONAL e me desculpem os fãs, mas convenhamos que Didi e afins não fazem cinema. Mas isso é uma conversa pra depois... Vejam os filmes do Paul Thomas Anderson...

(Por Carol Borges)

Dicas do dia: “Magnólia” e "Sangue Negro"